Parada gay de Brasília reúne 22 mil e homenageia ex-sargento do Exército

Ex-sargento Fernando Figueiredo participou do evento e pediu fim do preconceito.
Segundo Polícia Militar, cerca de 22 mil pessoas participaram do evento.
Em clima de protesto e muita alegria, aconteceu neste domingo (29) em Brasília a 11ª edição da Parada do Orgulho LGBTS (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros e simpatizantes) na Asa Sul, bairro nobre da cidade. A organização do evento estimou a presença de 35 mil pessoas, mas, segundo cálculos da Polícia Militar, cerca de 22 mil populares compareceram.

Neste ano, a organização do evento, que acontece desde 1998, decidiu homenagear o ex-sargento do Exército, Fernando Alcântara Figueiredo, que estava presente na parada gay, e seu companheiro, Laci Marinho de Araújo - que ainda permanece preso acusado de deserção.

Fernando Alcântara foi acusado de deserção quando viajou para São Paulo sem autorização e se apresentou em público mal uniformizado, como alegou o Exército. Já Laci Marinho estava afastado desde 2006 e deveria retornar ao trabalho em abril, mas apresentou um atestado, não homologado, para continuar afastado.

A defesa de Laci Marinho alega que ele não tem condições de trabalhar porque sofre de problemas neurológicos. Por isso, pediu que aguardasse o julgamento em liberdade. A juíza que analisa o caso pediu que uma junta médica civil faça a avaliação do quadro de saúde do sargento. O Exército afirma que não há perseguição e que os dois processos ocorreram por desrespeito ao Código Militar.

O casal assumiu sua homossexualidade no que foi considerado o primeiro caso de um par gay assumido publicamente na história das Forças Armadas. Por conta do episódio, organização da parada gay pediu aos participantes que se vestissem com roupas camufladas - que podiam ser encontrados à venda no local.

Foto: Do G1, em Brasília

"Está sendo muito difícil pra mim porque meu companheiro ainda está preso. A homofobia já era para ter saído do Brasil", disse o ex-sargento Fernando Figueiredo, que discursou e posou para fotos com vários populares. Ele afirmou que o apoio dos presentes não se resume ao público gay, mas também da sociedade civil. "O que estão fazendo aqui é mais um grito pela humanidade", disse ele.

Apesar do preconceito, Figueiredo afirmou que também está tendo o apoio de várias pessoas. "Têm pessoas que nem me conhecem e estão dando um apoio muito grande", afirmou. Acrescentou que sua idéia era permanecer no Exército para provar que, independente de sua orientação sexual, é um bom profissional. Entretanto, chegou à conclusão que teria mais facilidade, e eficácia, para atuar na defesa de seu parceiro fora do meio militar. Ele pediu baixa do Exército na última quarta-feira (25).

Elker Barros, 32, também presente na parada gay, afirmou ter servido o Exército em 1994 por um ano e disse que o preconceito realmente existe dentro da corporação. "Não cheguei a ser preso. Mas sofria perseguição dos superiores e era alvo de ofensas e piadas", disse ele. Afirmou que, por isso, não considerou seguir a carreira militar.

Conselho de Cidadania LGTBS

Um dos organizadores do evento, Welton Trindade, afirmou que, após as pessoas participarem da Parada do Orgulho LGBTS, a "vida nunca mais é a mesma". "Essa é a maior manifestação de direitos humanos do Distrito Federal. É muita alegria. Essa união é muito importante. Queremos respeito e políticas públicas", disse ele, que pede a criação de um Conselho de Cidadania LGBTS no Distrito Federal, a exemplo do que já acontece em São Paulo.

Contra o preconceito

A estudante do ensino médio Rayane Noronha, 17, se surpreendeu pela homenagem prestada ao ex-sargento e seu parceiro, Laci Araújo. Mesmo assim, comprou a roupa de militar e aprovou o protesto.

"Me surpreendeu. Nem sabia que tinha que vir camuflada. Pode ser uma ironia, um deboche. Tem bastante preconceito hoje em dia. Nem todo mundo que está aqui é homossexual e isso é muito bom. É uma questão de respeito e humanismo", disse Rayane.

Para Marina Correia, estudante universitária, é importante lutar por seus direitos e para acabar com o preconceito. "Apóio a parada. Eles sofrem preconceito sim e é isso", disse ela.

Para o funcionário público Francisco Petrônio, seria importante aceitar as pessoas como elas são e não ter preconceito quanto à sua opção sexual. "Sexo se faz em casa e ninguém tem nada a ver com isso", afirmou.

A vendedora ambulante Elizabeth Almeida considera o evento legal e diz que, em sua visão, ainda há muito preconceito contra os gays e lésbicas. "Tem bastante preconceito. Hoje eu estava em uma festa, e lá estavam comentando que iram soltar uma bomba aqui", disse ela.

Naná Martins, comunicadora, trouxe o marido e as filhas para a parada gay e disse que o evento é "muito interessante e bacana". "A gente, como família, e nossas filhas que estão aqui, acho uma bandeira importante", concluiu ela.

Via: G1

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