Rede social? MySpace agora é um portal, diz seu COO
Pelo menos aos olhos da mídia e de analistas de mercado, o MySpace não passa por sua melhor fase. A tradicional liderança no ascendente setor de redes sociais foi perdida para o rival Facebook – 117 milhões contra 132 milhões em julho, segundo a comScore.
O que fazer em um cenário onde o rival não pára de ganhar o que é conhecido como “momentum”?
De férias no Brasil, o chief operation officer (COO) do MySpace, Amit Kapur, não citou o nome do rival Facebook quando começou a conversar com o IDG Now! na tarde desta segunda-feira (25/08).
A rede social de Mark Zuckerberg apareceu depois, rodeada de argumentos que transpareciam o incômodo de Kapur com o "hype" sobre uma rede ainda sem o modelo de negócios que o MySpace tem.
No papo, Amit detalha também a loja de venda de música digital que, além de bater de frente com o iTunes Music Store, da Apple, pretende ser um “novo modelo de negócios” para artistas inscritos na rede.
Quais são as principais dificuldades de enfrentar diferentes rivais em diferentes mercados, como Orkut no Brasil e Hi5 na América Latina?
Muitas pessoas não percebem que temos muito mais rivais do que apenas um competidor (o Facebook).
Somos um negócio global com 120 milhões de usuários espalhados por 21 territórios em 19 diferentes línguas - assim, enfrentamos desafios diferentes nos mercado em que entramos.
O fundamental é, frente às particularidades dos territórios, nos manter fiéis às "raízes" do MySpace e não necessariamente seguir o competidor local.
No Brasil, o Orkut é obviamente enorme, mas uma das características chaves do MySpace é oferecer um ambiente onde você pode expressar sua personalidade online livremente, uma riqueza que você não vê tanto em outras redes sociais.
Sabemos que os brasileiros têm uma cultura bastante expressiva, o que nos dá uma grande oportunidade para que nos foquemos nesta expressão online e usemos isto como uma vantagem em relação a nossos rivais.
Ao contrário de muitos outros serviços online, o MySpace está bastante focado em um modelo de negócios, com operações bastante lucrativas que têm receitas na casa das centenas de milhões de dólares.
Quando analisamos quais mercados vamos nos focar internacionalmente, escolhemos os que têm as melhores oportunidades de negócio - qual tem a maior penetração de banda larga, o maior investimento em publicidade, etc.
Se você pegar os dez mercados com maior faturamento publicitário online, verá um cenário muito diferente (da liderança do Facebook) em nações como Estados Unidos, Reino Unido, Japão, França e Brasil, por exemplo.
Para a revista Fast Company, os fundadores Chris DeWolfe e Tom Anderson afirmaram que o MySpace não é mais uma rede social, mas sim um “portal social”. O que isto significa?
Quando o MySpace começou, víamos que portais como Yahoo, AOL e MSN eram sites para qualquer um, em uma experiência "um para muitos" com pouquíssima customização e quase nenhuma atividade social ao redor.
Acreditávamos que havia uma oportunidade para que houvesse uma identidade online dos usuários, em que o conteúdo era filtrado e era possível socializar com seus contatos.
Pegue música como exemplo. Hoje temos 5 milhões de usuários ativos e cerca de 12 milhões de perfis de artistas registrados, com muito conteúdo. Parte do nosso trabalho é facilitar seu trabalho de encontrar o que você quer, algo como um portal já faz há anos.
Quando se fala em informações na mídia social, há a possibilidade de ligar usuários com gostos parecidos ou apontar músicas ou vídeos que você possa apreciar. É por isto que nos vemos como um "portal social" - nós oferecemos um ambiente com ferramentas que facilita a navegação pelo conteúdo.
Este modelo tradicional de busca em redes sociais vai se tornando cada vez menos relevante e a companhia que ajudar a filtrar e organizar estes dados pessoais vai ganhar uma atenção especial dos usuários.
Portais dependem de conteúdo de terceiros...
Nós temos 120 milhões de parceiros em todo o mundo que colocam conteúdo no site. Temos muito material para organizar.
Sobre desenvolvimento, a popularidade do Orkut pode ajudar o MySpace na popularização dos aplicativos do OpenSocial?
Se existe um grande número de desenvolvedores criando aplicativos para o Orkut no Brasil, então isto é ótimo para o MySpace, sem dúvida.
Como está a programação e quais são as principais ferramentas do MySpace Music?
Lançaremos o serviço em setembro nos Estados Unidos e depois pretendemos levá-lo para mercados internacionais nos meses seguintes.
Já temos três grandes gravadoras assinadas (Universal, Sony-BMG e Warner) e estamos negociando com a EMI ainda.
As músicas estarão disponíveis gratuitamente em streaming, mas, caso você queira ouvir a música em um gadget, pode comprá-la sem tecnologia DRM e com uma política de preço variável (ao contrário do iTunes Music Store).
Por seu foco inicial em música, o MySpace sempre foi um dos principais destinos para música na internet. Mas se você ainda tem uma experiência muito limitada na rede social por ter apenas três ou quarto músicas de um artista que você gosta dentro do MySpace.
Você vai ao seu perfil, descobre mais sobre o artista, vê quando será os próximos shows, ouve poucas músicas e é isto. O que faremos com o MySpace Music é "explodir" esta definição do MySpace como uma simples plataforma de divulgação.
Agora, teremos todas as canções do artista, não só quarto, para que o usuário faça o que quiser, seja compartilhar com os amigos ou criar uma lista de músicas, por exemplo.
Pretendemos oferecer um novo modelo de negócios para o artista (além da divulgação), com links para comprar as canções ou ingressos para shows. Vamos oferecer uma experiência musical online mais ampla, além de ganhar uma nova fonte de receita também.
Há uma data fechada para o Brasil?
Émerson Calegaretti, diretor geral do MySpace Brasil: Não temos uma data específica ainda. Nosso problema é regularizar os direitos autorais (que devem ser pagos às gravadoras por cada música digital vendida), algo que estamos tentando fazer agora.
Pretendemos seguir o cronograma mundial, sem dúvida, mas depende da maneira como as negociações com as gravadoras, que são difíceis de se negociar, avançarem.
Via: IDG Now
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